Existencialismo

Dois Egocêntricos Pensativos

Eram dois.
Ele olhava para um mar imaginário de livros didáticos sem fim. Seus olhos deprimidos calavam-o, como sempre, apenas os tendo para observar a lentidão da descida do relógio analógico no pulso dela.
Ela planava, em nuvens negras inexistentes. Pensava em sua conturbada inexistência, no que fará na tarde seguinte e a que sucedê-la.
Eram dois.

Plástico acima do Nada

Quanta gente
Quantas caras...

Meus colegas
Amigos

Enfileirados
De lado a lado

Alguns em sono profundo
Outro atentos

À sua imaginação
Ou à luz

Que tenta iluminar
Seus crânios assombrados

Seus rostos, contudo
São plastificados

Por máscaras
Opacas

Que deformam
O interior duvidoso

Tão diversas
Múltiplas

Que nem eles
Seriam capazes

De saber o que há
Debaixo delas

Poderia ser
O demônio

Judaico
Cristão

Ou o anjo
Socialista utópico

Ou simples-
Mente

Qualquer coisa
Imaginavelmente possível

Ou não

Então não se espera
Ser igual

As suas essências
Perdidas

Debaixo das camadas
Que encobr

Visão (Infeliz) de Vida

Havia dois estudantes secundaristas indo até o ponto de ônibus. Um estava revoltado e inconformado, outro estava conformado e desiludido.

Um queria que o mundo se explodisse. Não poupando o capitalismo, a hipocrisia, a safadeza, a corrupção e as pessoas. Queria saber o motivo de estudar, de trabalhar, de ser mais uma engrenagem na sociedade.
O desiludido tinha a resposta na ponta da língua: consumir. "O mundo foi feito para se consumir, e estamos aqui apenas para consumir. Estudar, trabalhar, procriar... tudo, é em função do consumismo.

Curiosidade Letal

A curiosidade felina
De tão infame é
Inspira ditados populares

De mortes causadas por ela

A curiosidade humana
Não é tão diferente

Curiosidade maldita
Que aflige a todos
Principalmente àqueles
Imaturos e inexperientes

Os condena a uma vida de vícios
Uma vida de escravos

Faz grandes descobertas
Que matam milhões

Inventa sistemas inteiros
Capazes de moer gente
Em benefício de poucos outros

Ó curiosidade
Criatividade incrível

Condena a civilização a morte
Ao suicídio sumário em massa

Um Mundo Sem Vestibular (e outras coisitas mais)

Há alguém
Em algum lugar

Pensando em ti
Pensando em mim
Pensando em nós

Pensando como poderia isso tudo ser melhor
Como a realidade poderia ser mais suave
A existência nunca doer

Como seria se não sofrêssemos
Se nunca morrecemos
Se nunca frustacemos

Como seria perfeito
Como seria sorridente

Sem fome e miséria
Todos satisfeitos

Pra que ser?

Pra que criar?
Se pode copiar?

Pra que estudar?
Se pode pescar?

Pra que trabalhar?
Se pode roubar?

Pra que cantar?
Se pode ouvir?

Pra que refletir?
Se pode refratar?

Pra que pensar?
Se pode não-existir?

Ser nada, menos que o vácuo
Esquecido e recluso
Abaixo de um digno indigente
Não ser

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