Poesia

Elas e a Lagoa da Fortuna

A... elas.
Inigualáveis em seu interesse.
Incomparáveis em suas armas.

Ai de mim,
Que só vi a desgraça

Devido a essas criaturas
Tão nefastas.

Não!

O Louco da Ilha

Em além-mar, na ilha mais distante imaginada pelo mundo, estava ele, o louco.

Inscrição

É hoje
Dia único

Decisivo
Importantíssimo

Mas, mais um protocolo
Documento qualquer

Para tantos
Que tem como ofício

A burocracia
Acadêmica

Mas não sou este
Tedioso ser

Sou aquele
Esperanto

Que esperou e esperou
Tempos e tempos

Para uma terça
D'aula tarde

Para preencher
Formulário longuíssimo

Que pedia tudo
Só faltava a filiação

(como um certo NENÉM
verde como a paz)

Ei de ser alguém certo
Fazer Direito

E passar
Para os montes

Que cercam
Um vale

Soteropolitano

NENEM desmotivado.

Ela é ingrata
Sem utilidade

Onde eu vou
Ela nada me serve

Terei que perder
Uma tarde inútil

Do dia mais ocioso
Da semana

Vou fazer NENEM
Quero dizer, ENEM

Sem motivação
Alguma

Pois nem a federal
Tampouco a estadual

A prestigiada particular
E a esquecida privada

Acatam-na
Em minha escolha

Exceto sim,
A rebaixada

O amor está morto.

I

Cá estou
Desejando desdesejar

Sentir mais nada
Desapegar de tudo

Não querer
Não sentir falta

Não sentir nada
Ser uma automação

Indiferente ao mundo
E a si mesmo

Que não chora
Que não ri
Nada no pé da letra
II

Ungrateful Lusophone

I have a friend
That only writes

His poems

In a foreign language
From Britain

Ungrateful

For everything that he has
Is and could be

Shall die

In the blazes
Of a decadent Empire

Promessa

Prometi
A anos atrás
Jamais me apaixonar
Novamente

Não quebrei essa promessa

Desde então
Ninguém conseguiu
Ultrapassar a força
De minha palavra

Apesar de querer fraquejar

Minha senhora

Minha senhora

És tão bela
Tão graciosa

Parece ter gosto
Em mim

Ou talvez

Goste, sim
Do deboche

Da diversão
Em meu sofrimento

Minha senhora

Ei de não mais
A visitar

Com esperanças
Tão reais

Quanto tuas promessas

Descumpridas
Irrealizadas

Que já fui ingênuo
Em acreditar

Minha senhora

Sei de que gostas
E não é de mim

Gostas da vaidade
Despojada

Não sou assim

Gostas de pouca coisa
Dentro do crânio

Gostas de fortuna
Que jamais darei

Minha senhora

Prove-me incorreto
Para minha felicidade

Pois agora
Prefiro continuar só

Na solidão celibata

Caderno em Branco

Linhas azuis

Espaços brancos
De duas
Em duas

Em branco

Sem utilização
Virgem
A sua espera

Para grafitar

Canetar
Pintar
Ou dobrar

Fazer artes

Poesia, das letras
Pintura, das plásticas
Desenhos, das técnicas

Registrar momento

E informações
Tristes, felizes
Úteis, inúteis

Só não deixe

A derrubada
De árvores
Em vão

Coma, coma, coma e chupe!

Coma sua água
Coma sua floresta

Coma o sofrimento
Com o sangue louco

Coma a Terra
Chupe esse sorvete

Que você derreteu
Sem pensar, aos risos

E CHORE

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