Poesia

A Estrela Inexistente do Céu Coronário

A estrela mais brilhante e solitária de meu céu
Inexiste, como o amor e a intimidade.

É nada — o mais insignificante e esquecido já concebido.

Pois meu coração já não vê a luz mínima
Aquela incolor e sem tom algum.

Meu coração sofre em desespero imensurável,

Mergulhando-se no vácuo sentimental
Onde permanece tristonho e chorando.

Vivendo, como sempre

Vago pelo espaço, como de praxe.
Não havendo como ser diferente
É a vida tradicional, o ciclo.

Sem apegos e amores,
Livre de pensamentos fixos
Além dos vícios adquiridos
E os poemas a serem escritos

Enquanto estudo profundamente
Na reta final, para então gritar:
"Passei, porra! Passei!"

Que assim seja, felizmente espero.
Seguindo-se de um tédio convencional
Passageiro como o sofrimento letal
Para então entregar-me as letras.

Dois Egocêntricos Pensativos

Eram dois.
Ele olhava para um mar imaginário de livros didáticos sem fim. Seus olhos deprimidos calavam-o, como sempre, apenas os tendo para observar a lentidão da descida do relógio analógico no pulso dela.
Ela planava, em nuvens negras inexistentes. Pensava em sua conturbada inexistência, no que fará na tarde seguinte e a que sucedê-la.
Eram dois.

Escolhas

Ser ou não ser, eis a questão.

A verdadeira questão, contudo
É o que ser, o que fazer

A vida é feita de escolhas
Com o fim da eterna felicidade

Até quando essa felicidade
Ser de natureza masoquista

Essas escolhas podem ser
Permanentes como a chuva

Ou temporárias como a existência
Celestial

São todas nossas
Genuinamente nossas

Libertas e castradas pelo poder
Sem responsabilidade externa

Pois talvez seja nosso destino
Ou nossa grande escolha

Mas no final, não importa
Elas existem.

Festa do Último Concerto

O final definitivo da arte mais cênica
Do povo que sempre marchou no palco artístico
Não haveria como não terminar
Em festa tão profetizada e prevista

Onde e quando não era conhecimento público
Mas a existência era como o ar respirado
Natural, a ordem das coisas
Assim partiram-se em seus carros

O caminho parecia inato a mente
Um depois do outro, vieram quase todos
Parecendo-se com uma fluidez sem precedentes
Apesar do aperto físico

Não era tão grande, com cadeiras insuficientes
Mesas e gramas, tudo racionado
Acabaram-se por amontoar
Enquanto faziam suas respectivas tributações
Para o bem et

Cordas Confusas do Pensamento

A imaginação fértil enunciada
Pronuncia-se como idéias maldosas
Sobre tudo e mais um pouco
Numa confusão ideal

Diante desses cordões embaralhados
De forma alucinótica no meio
Se há a tarefa árdua de desmaranhar
Desfazendo-se os nós e as tranças

Do diálogo todo embaralhado
Sem começo nem fim
Cujos cordões não apontam
Direção nem sentido

Até que se ache a ponta
Delimitadora do fim e do começo
Quando poderá se destruir a desordem
E poupar corda para costura

De um cordão umbilical

Pronunciamento Contido

Gostaria finalmente de dizer-te
Tudo que se passa dentro de mim
Desde a tua chegada em minha vida

As poucas palavras foram pré-selecionadas
O discurso feito a cálculos cirúrgicos
Com o carinho simples e bondoso do sentimento

Mas caso permita-me, serei mais breve ainda
Caso tu me ceder-te e teu tempo
A demonstração da afetividade reprimida.

Imperialismo emocional

Imperial, real e valorosa
Nobre senhora de meu coração
Que domina todos os seus cantos com rigor

Dirijo-me minha modesta voz
Para dizer-te quanto adoro-te, pois sou teu
Vassalo, a mercê de teu perdão

Estou ajoelhado diante sua graça
Submisso a toda e qualquer severidade tua
Disposto a tudo por ti, minha senhora.

Discurso Improjetável

Diante de teu discurso desafetante
Aparentemente descrente
Faço derramar lágrias
De tristeza arrependida

Pelos teus dizeres mais absurdos
Com pouquíssima contundência
Contraditórios, sem tamanho
Ouvi de tudo de tu!

Tu, quem me ignorou no passado
Desconsiderou o presente e futuro
Que nem sequer consegue
Projetar um slide tímido

Nunca se projetará, pois tu ofusca
O BrOffice.org Apresentação
Fazendo sua sombria silhueta
Ser hegemônica no quadro branco

Do tempo.

Querem que acredite

Querem que acredite
No mar de rosas espinhentas
Em que o Brasil flutua

Enquanto o mundo está mergulhado
Na crise financeira mais tenebrosa
E lucrativa do século incipiente
Violento e desgraçado desde seu começo

Querem que acredite
No emprego ascendente
E na inflação deflacionária

Enquanto cargueiros eslavos
Recheados de armas e tanques
É pirateado por somalianos
Que imploram por suas ignorâncias

Querem que acredite
Na eleição municipal
E na democracia reinante

Enquanto golpes e guerras
Explodem em todo o oriente
Financiado pela fé ordeira
O capital euro-yankee da China

Querem que acredit

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