Nos primórdios
Meus versos
Nem ponto e vírgula
Tinham
Hoje,
Ambos dominam
Minha poesia.
— E o futuro?
Os travessões
interrogarão
em meio às minhas
exclamações!
Dizer-se-ia uma evolução...
Talvez uma "involução".
Mas certamente
uma mutação.
Quando a hora de
Dizer adeus
Já passou-se
Faz tempos incontáveis,
O suicida dança.
Dança a dança indançável,
Da morte tão repugnada.
O suicida canta.
Canta a canção da desgraça,
Da vida que mal vivera,
Cujos maus apenas ele sabe.
O suicida compõe.
Compõe seu poema testamento,
Que será lavado com seu sangue,
Imortal.
E o suicida mata.
Mata a si próprio,
Frente a si,
Que só faz chorar
Ou sorrir.
Em Solteirópolis, missionários
Do amor pregavam suas palavras,
Sem restrição e noção da realidade
De sacanagem e escrotidão.
O amor cura nada, nada cura.
Já levou a construção de monumento
Que matou tantos outros que
Com ele nada tinham a ver.
Diz a missão que é um tipo anormal:
O amor doentio que deve ser
Combatido em todas as frentes
Como em Guerra Mundial.
Mas é a natureza fundamental
Do amor entre essa gente.
No antigo Egipto,
As lágrimas de Portocale
Jamais hão de ter
O mesmo aspecto.
Pois hoje,
Na época das saudações
A mais uma volta planetária
Arredor da estrela amarela,
A ideia não terá mais acento.
Faremos trabalhos extraescolares
De paraquedas,
De fato!
Do Timor Leste até o Brasil
De Porto Alegre ao Porto.
Agora samos forçados
A escrever com grafia igual.
Viva a nossa aliança!
Ao menos no aspeto ortográfico.
E abaixe a resistência,
Reacionária como sempre.
Aquele que vê a si,
Intocável em seu
Casulo indestrutível
É cego e surdo.
Sua voz é inaudível,
Suas convicções são
Inabaláveis e
Inexpressáveis.
O tempo passa em sua mente
Como o fluxo fluvial,
Enquanto fica petrificado
No seu tempo interno
Inflexível.
E quando se dá conta,
Perde a vida.
Aquele não vê mais a si.
Nem é mais visto.
O Marido
Proprietário de empresa
Aos 26 anos de idade.
Sendo três de carreira
Que subia diante de sua
Graça e talento
Como um Tomahawk.
Ao ver, no Piauí, aquela
Loira, linda, pensou:
“Ah, essa será minha
Esposa, minha mulher!”
Casou-se meses depois,
E filha nela fez também,
Deu-lhe o nome do saber.
Mas logo que surgiu
Uma morena engenheira
Em sua empresa, não exitou,
A agarrou!
A Amante
Sucedida, engenheira de carreira
Consolida e ascendente
Com futuro brilhante, aurífera.
Não se casara, homem algum a teria
Para chamar-se de esposa, propriedade.
Ela era dela, somente del
O trânsito
De gente,
De veículos
É serviçal.
As luzes
Que mudam toda hora
São supremas...
Verde, Amarelo, Vermelho!
Pare!
O semáforo ordena.
E ele, inocente!
Nem sabe o ódio
Que tantos acumulam
Sobre si.
Até lhe darem olhos
E uma câmera
Fotográfica,
Para dedurar
Infratores.
Quando o vi,
Estremeci-me!
Meu nome, sim,
Sou eu!
Passei, porra! mas
Ainda tem
A segunda fase.