— João...
— Oi Lúcia, o que há? Cê nunca mais ligou para mim...
— Nossa mãe João.
— O que tem a mãe?
— Ela foi assassinada.
(Risos)
No grande circo da
vida de palhaços,
o som da marcha cômica
nos obriga a rir a beça,
mas nos irrita profundamente.
(Risos)
Pois não samos contratados
para fazerem outros rirem
(apesar de só fazermos isso),
mas se não isso fazermos
não seremos pagos e
choraremos até a morte.
(Risos)
A mente dele
está, está
totalmente
fechada.
O sujeito ignora
o seu país,
sua pátria,
sua nação,
seu bairro,
sua casa,
sua cidade,
odeia tudo.
Pois crê
que lá
fora há mais,
há mais.
O sujeito ignora
a cultura alheia,
pois crê que a sua
é muito superior.
O sujeito ignora
os sujeitos de outras
cores que não a sua,
pois apenas a sua
merece atenção.
O sujeito ignora
as outras espécies,
pois apenas as sua
tem algum interesse.
Dengue, dengue, dengue. Eu avisei... "vai rolar dengue nessa cidade!" Quem me ouviu? Em? Quem me ouviu? Como se tudo a mim dependesse, a ir na casa alheia para tomar as devidas providências que a secretaria cansou de ensinar. "Não deixar tampas abertas, garrafas vazias viradas para cima..." etc, etc, etc. Cansei. O povo tem mais é que se foder todo mesmo. Tem que aprender na pele, por bem ou por mal, que a dengue mata. Sangra e mata.
Não sinto mais a dor
da paixão não correspondida.
Não sinto mais compaixão
pela dor alheia.
Não sinto mais a mim
mesmo, sendo eu.
Não sinto mais nada
bater dentro de meu peito.
Não sinto mais nada.
Virei máquina,
atingi a perfeição.
Desamei.
Reações adversas/colaterais
Os efeitos colaterais mais comuns (entre 10 e 47%) foram no âmbito pessoal, profissional e reações cutâneas, incluindo destruição de lares, desestabilização de economias nacionais, falência pessoal e da empresa e coceira.
O almoço chegou a mesa e os cidadãos puseram-se a comer.
A senhora cidadã, querendo entreter-se e informar-se enquanto comia, ligou a televisão.
Uma mulher sentada na maca em estado de euforia, preocupante, preocupante, outra mulher, uma psiquiatra, e seu enfermeiro.
Me beije, me ame, me faça tua, te faça meu! Meu amor, amor, amor, amor, a mulher não parava de repetir a palavra tão-dita, como se fosse um disco de vinil arranhado (que nem em museus hoje se acham).
Quem sou eu,
se não sou seu?
Tive que surfar
em ondas largas
sem saber nem
como o fazer.
Acabei morto
entre os corais
de seu coração,
que é um mar,
sem amor.
Bati-me, bati-me, bati-me
até não mais sentir dor
de minha alma.
Até que o meu sangue,
negro como o óleo
(baiano que saí
do chão do Lobato)
encontrou caminho
por trás de meus olhos —
feito lágrima.
Minha alma espancada,
ouviu o meu sussurro
em seu ouvido dolorido:
saía satanás do ócio!
saía dessa alma minha!
para que com ela
possa fazer a mais linda
poesia.