O homem de
toga branca
falava e falava
no palanque roxo.
Falava não,
gritava:
Morte, sangue...
é isso que temos
que arrancar
de todos os cantos
de nosso coração
e de nossa alma.
Então o homem
sacou sua arma
de fogo ao lado
do livro sagrado.
Mirou no livro e
atirou sem dó
nem piedade
com um sorriso
cínico em sua
face engordurada
e farta de suor,
daquele frio.
O livro sangrou,
enquanto os fieis
gritavam sem parar:
Hallelujah!
Lá no fundo do templo,
o ateu abriu os olhos
diante da patética ironia
do rebanho fiel.
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Cuidado com a fogueira.
Cuidado com a fogueira.