Amar é Doença

Me faça rir, me faça ser feliz, me surpreenda me chamando de amor, só seu. Branco. A sala era toda branca, com um cheiro impregnador de iodo e outros remédios indecifráveis.

Uma mulher sentada na maca em estado de euforia, preocupante, preocupante, outra mulher, uma psiquiatra, e seu enfermeiro.

Me beije, me ame, me faça tua, te faça meu! Meu amor, amor, amor, amor, a mulher não parava de repetir a palavra tão-dita, como se fosse um disco de vinil arranhado (que nem em museus hoje se acham).

Olharam um para o outro, enfermeiro e psiquiatra. Mais um caso de CAIHe-VF? Sim, sim... não tenha dúvidas colega. O que podemos fazer com ela? Legalmente, agora nada. CAIHe-VF não tem nenhuma cura conhecida. O amor é incurável. Só podemos a internar, tentar amenizar os efeitos.

Clássico Amor Insano Heterossexual, Versão Feminina: CAIHe-VF.

Mas há uma chance, um tratamento alternativo. O tratamento alternativo. Enfermeiro, traga o contrato, por favor.

Me ame! Senhora? Me ame! Senhora... Não, você não! Não sou sapata, sua big-foot. Senhora, acalme-te. Calma? Eu quero amor, não calma. Eu quero um amor que apenas um homem poderia dar. Senhora, nós temos um tratamento alternativo, que precisa de sua assinatura.

Mutilações físicas, mentais, drogas, desamor, desapego, insensibilidade: máquina de carne.

Não sentirás mais essa carência, senhora.

Quero amor, não deixar de amar... mas onde assino?

No xis.

Comentários

Por algum motivo místico,

Por algum motivo místico, esse post foi apagado e seus comentários também. o.o

Bem que eu tava me

Bem que eu tava me perguntando o por quê desse texto ter desaparecido

Ah Sam... você é

Ah Sam... você é pré-universitário