I
Ar viciado
Fios de nylon
Quem diria
Que o cansaço
Perdurou por dias
Por todo ano
Vozes conhecidas
Sonofilas
Ajudam fazer dormir
Mas atrapalham a manutenção
Da de quem nada quer
Quem cansou
De respirar
Esse ar ancião
II
Gráficos
De diversas formas
Numerados
Dizem o teu humor
Tô feliz
Mas nem tanto
E assim esquecerão
De todo sofrimento
De dias
Infinitos
III
Onipresente tédio
Que assola toda vida
Constante e uniforme
Confortável
Que muda
De vez em quando
IV
Os gráficos
Pequenos e de poucos números
Os donos desses
Esses sim
Não exibem sorrisos
Só uma tristeza mensurável
Fracassados
São seus apelidos
V
Assim vive
Eu e outros
No marasmo
Do sucesso
Garantido?
Talvez
Mas tão natural
Certo
Que parece presente
O tempo
Futuro certo
Passado Consagrado