Relativismo Ético

Em um grande planalto aberto pelo gado,
havia um grupo de gente de todo mundo.

Eles caminhavam em busca de algum lugar
para iniciar uma nova vida e uma nova vila.

Dentre essa gente havia um um homem que
inocentemente pisou em um córrego, sem dó.

Apareceu, do meio da multidão móvel, uma
mulher segurando um punhal muito bem afiado.

Ela acreditava que todos aqueles que pisavam
nos córregos mereciam a morte e enterrou a arma

no pescoço do cidadão irresponsável.

Outra mulher, atordoada, a censurou e foi até
o corpo do homem ferido, que já havia morrido.

Ao ouvir as palavras de discordância, outro
reclamou pelo respeito das tradições da mulher.

“Tens que aprender a respeitar os diferentes valores
não importando o quão eles possam ser polêmicos!”

A vida do homem valia menos do que a crença
de uma cidadã armada mentalmente e fisicamente,

e isso foi respeitado com zelo.

Da Realidade não-televisiva

No dia dos pares binários,
há flores, doces e presentes
que ficam cada vez mais caros.

Os casais televisivos sorriem,
mais do que qualquer um que
já conheci em minha realidade,
são perfeitos e harmoniosos.

Pois na televisão, como na
plateia da sociedade, eles não
têm nem ciúmes nem inveja.

Mas no mundo real material,
a áurea desse romantismo me
tornou tão tênue que virou
um fantasma imperceptível.

Não acredito mais na tevê,
nem nos casais felizes de
meu meio populado.

Causa Mortis: Apatia

A um tempo atrás, quando ainda não existia Salvador Shopping e o aeroporto se chamava Dois de Julho, existia um bar em um certo bairro litorâneo da cidade. Lá, diariamente, se bebia até cair, se debatia sobre a vida alheia até o alheio tomar medidas drásticas e se assediava travestis até que alguma discussão acalorada virava briga. O dono desse bar, o seu Gabriel, sempre estava presente quando um conflito sério estourava, mas seu permanente estado de embriaguez o tornava um árbitro ineficaz, apesar de reconhecer o quão nocivo essas lutas eram para o bolso dele.

Em um dia como qualquer outro, o cliente mais fiel do Gabriel, o tal de Marcos, estava no bar como fazia todos os dias praticamente. Estava em sua décima cerveja do dia e já sentava naquela cadeira fétida de bar-de-esquina faziam praticamente toda a madrugada. O sol começou a ranhar no horizonte soteropolitano, tornado o céu de Salvador vermelho. Mas, para a infelicidade de Marcos, o vermelho fortíssimo que via não poderia ser do céu, era o sangue que escorria por sua testa suja de suor e poeira. Alguém havia, ele pensou, quebrado uma garrafa em sua cabeça. A primeira coisa que lhe veio a cabeça foi vingança, tinha que se vingar de quem o atacara.

Olhou ao seu redor, não viu ninguém suspeito: apenas alguns de seus amigos-de-bar bêbados, ignorando sua existência e dor de cabeça. Ninguém deu a mínima, ninguém na cidade inteira daria (nem sua família), exceto Gabriel que gritou:

─ Marcos?! Quê é isso em sua cabeça, vei?

Notas violetas e vermelhas em chamas vieram no imaginário de Gabriel. Perder Marcos era como perder uma mina de dinheiro, que raramente se encontrava em Salvador com tanta facilidade. Marcos lentamente respondeu honestamente, que não sabia o que havia acontecido. Sua suspeita que foi alguém com uma garrafa era o resultado de longas sessões de filme de piratas e de velho oeste. Então Gabriel o segurou e colocou em uma cadeira, pois Marcos estava caído no chão. Ninguém deu a mínima.

Gabriel correu para o telefone, procurando pelo número de ambulâncias em sua agenda. As poucas que encontrou, não atendiam o telefonema, para o azar de seu fiel cliente. Os gráficos decrescentes causaram grande tormento para Gabriel, porém ele engoliu tudo como se fosse uma dose de vodca. Deixou Marcos de lado e voltou ao trabalho.

Marcos continuou na cadeira durante o restante da manhã, criando uma poça de sangue considerável em volta de sua cadeira. Os pedestres passavam cegamente ao seu redor, surdos dos gemidos que Marcos fazia. Até mesmo uma ambulância passou próximo, mas nada fez. Ignorou-se a existência dele e sua dor.

Quando o sol começou a se por no horizonte soteropolitano, Gabriel e sua cambada retornaram para mais uma noite alcoolizada. Um deles se aproximou para o que deveria ser Marcos e tirou-lhe o pulso. Estava morto e começava a feder um pouco. O sofrimento de Marcos finalmente chegou ao fim junto com sua vida, para seu alívio, apesar de nunca saber quem o matou realmente.

No dia seguinte foi o enterro. Compareceu a família de Marcos (sua mulher e dois filhos), Gabriel e mais ninguém. Não houve choro, declamações, nem nada de importante. Apenas se cumpriu o ritual social que era exigido. Todos foram embora, como se nada de importante tivesse acontecido.

Acabou

Garota cor de bronze,
vi tuas lágrimas d'água
transforem-se em Q'boa,

e as vi levarem a cor
de tuas roupas marcantes
e do mundo todo.

(Mas tua pele não
perdera a cor junto
com o nosso mundo).

O Copo

Diante do dilema impopular:
o do copo que possui um conteúdo
cujo volume é metade a do copo,
pergunta-se a quem calhar se o
copo está meio cheio ou meio vazio.

O pessimista só vê a ausência de coisa.

O otimista só vê a coisa que lá há.

E o realista não sabe responder precisamente.

Decência Colonial no Discurso

Digo "sim" quando é para o dizer,
com meu braço a moda militar.

Digo "não" quando me convier,
caso haja autorização concedida.

Digo "talvez" quando a etiqueta
tão decentemente respeitada

(que honra os bons costumes
centenários que nossa nação
herdara dos tempos gloriosos
em que homens e mulheres
eram estuprados na mão de
homens de sotaque engraçado
com chicote na mão e cuspe
no chão molhado de sangue)

diz que não posso abrir a boca
sem sofrer as coações ditadas.

Minhas palavras são medidas
e todas elas seguem a cegas as
normas de etiqueta verbalizada
da Nação.

Aniversário de um ano.

Ontem foi o aniversário de um ano de meu blogue. Espero que não deixei muito a desejar, se deixei, me digam para que isso não venha a repetir-se nesse novo ano!

Criatividade em Greve!

A Central Única da Criatividade
deflagrou uma greve geral
sem sequer discutir.

O Sindicato das Letras
recusa-se colocar um A
no papel feito de bits.

O Sindicato das Fotos
não quer ver uma câmera
nem filmadora sequer.

O Sindicato Gráfico
esqueceu como usar o Gimp,
acho que deixou de existir.

O sindicato patronal foi traído.

Força da Guerra sem Óbito

Da batalha onde todos
somos imortais,
de onde as baixas
não passam de deserções,

tirei minhas forças.

Pois nessa guerra
apenas os que se nutrem
das batalhas numerosas
um dia verão a vitória,

ou antes morrerão.

Mas morrerão sabendo
que suas ações não serão
em vão nem vãs
e que a vitória estará próxima

pois sua parte já foi feita,
e o exemplo será seguido.

Brincadeira

Uma brincadeira que a Ana Celine começou, e ela indicou o Helder , que indicou para o Uriel, que indicou Maria e ela me indicou... apesar de não curtir esse tipo de coisa ¬¬ (comentário meu).

As regras são:

1- Colocar o link de quem te indicou
2- Escrever as regras do jogo para a brincadeira ficar mais clara
3- Indicar 3 blogueiros para dar continuação à essa bodega
4- Avisar quem foi indicado

Brincadeira :

Há 10 anos atrás:
× Eu tinha 8 anos...
× Era muito zoado no colégio
× Confundia inglês com português direto... “Thank you!”
× Não fazia meus deveres de casa!
× Acreditava no Lula.

Há 5 anos atrás:
× Eu tinha 13 anos...
× Fui enganado pela Veja :o .
× Parei de gostar de Matemática.
× Era comunista.
× Só pensava em jogos de computadores.

Há 2 anos atrás:
× Entrei no grêmio e passei a reclamar menos das organizações.
× Passei a escrever meu poeminhas.
× Entrei na academia achando que ia ficar malhado.
× Aprendi a nunca subestimar a idiotice alheia.
× Parei de ser comunista, definitivamente.

Ontem:
× Li Setembro não tem sentido, Ubaldo Ribeiro.
× Publiquei Diálogo Desconexo nesse blogue.
× Provei uma hambúrguer de arroz muito bom.
× Esperei por alguma notícia de estágio...
× Recebi esse questionário.

Hoje:
× Cacei citação bíblica, apesar de não ser cristão.
× Respondi esse questionário.
× São meia noite.
× Então é meio difícil
x Ter feito algo, entende?

Amanhã:
× Vou para o espanhol.
× Vou tentar permanecer acordado no espanhol.
× Vou encontrar minha vó.
× Vou procurar algo vegan num restaurante que sie que não tem coisas vegans...
× Talvez coma quinua.

Coisas que eu não vivo sem:
× Comida vegetariana.
× Água.
× Pessoas legais.
× A Jade.
× Uma solução gasosa de oxigênio e nitrogênio.

Coisas que eu compraria com 1.000 reais:
× Uma câmera fotográfica nova.
× Livros.
× Muitos livros.
× Um ingrediente importado aí.
× Uma máquina de fazer leites vegetais.

Maus hábitos..:
× Ao chegar em casa, ligar o computador apesar de não ter perdido nada nele.
× Levar o MP3 descarregado para passear, sem saber que ele tá descarregado.
× Caçar atos de vandalismo na Wikipédia, apesar de não ver um faz uns três meses.
× Falar “Enfim, é isso aí” quando não tem nada para falar.
× Olhar os meus emails de 20 em 20 minutos.

Programas e tv (ela tá desligada já fazem dois meses hehehe):
× N/A
× N/A
× N/A
× N/A
× N/A

Coisas que me assustam:
× Pandemias
× Animais peçonhentos
× Pessoas armadas.
× Ruído de arma de fogo.
× Ter que voltar a estudar Física e Matemática de Ensino Médio :o .

Lugares que eu gostaria de ir:
× Pantanal (Matos Grossos)
× Palmas (Tocantins)
× Vancouver (Colômbia Britânica, Canadá)
× Istambul (Trácia, Turquia)
× Luanda (Angola)

Pessoas indicadas:

× Antônio Almeida.
× Letícia Andrade.
× Lais Almeida.

O blogue de Maria é o Sapatilha Velha, http://sapatilhavelha.blogspot.com/

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